cala a boca, ela diz e eu obedeço. me beija com força e me dá um tapa, eu fico quieto, deixo ela bater. não vai falar nada? morde a minha boca devagar e me diz umas obscenidades no ouvido. típico, eu penso. fico calado, só esperando. esperar é o que eu faço de melhor. ela gosta. ela não gosta. ela nem imagina. me pergunta porque eu esmurro meu teclado e destruo ele. vou ter que comprar outro, de novo. droga. ela diz que gosta do meu cheiro de whisky. eu sei que ela adora. coloca um cd. tudo bem. adoro seu cheiro pela manhã. não, não toma banho, ela diz e me abraça. morde a orelha, me morde, ela pede. eu obedeço. eu mordo. toda. devagar. tudo de novo. isso, ela diz. muda o cd. qual? vc escolhe, agora vc escolhe. pingo de suor. escolho a música e deixo no repeat. ela vai se irritar e eu adoro. para de morder e beijo. bebemos de nossas salivas até ficarmos tontos, sem ar. não! ela me segura, não abre a janela. quero o calor. minhas mãos queimam, nosso quarto queima. nosso, o caralho! ela sempre joga na minha cara que é dela. e esmurram a porta. não, ninguém entra. não, só nós dois. sim, eu digo. a mesma música sem parar. horas. a mesma música. eu quero morrer uma morte bonita, ela diz. nenhuma morte é bonita, eu digo. não como eu quero morrer. me mata, deixa eu acender um cigarro e me morde, me beija. me experimenta de todos os jeitos. eu obedeço. acende um cigarro no outro, eu pingo de suor. calor. eu quero tudo agora. porra. isso. isso. filho da puta, ela grita.

seufilhodaputaporraputaqueopariu.

depois. bem depois. ela acende um cigarro pra mim. prefiro não te amar, ela diz.
e se perde na fumaça.