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Chego ofegante após subir correndo até o 3º andar. Malditos prédios sem elevadores. Dizem que só é obrigatório ter elevador quando se tem mais de quatro andares, ou mais de três, sei lá, acho que teria subido pelas escadas de qualquer forma. Bato na porta e grito o nome dela mas duvido que responda. Prefiro acreditar que ela esteja dormindo e que não consigo acordá-la.
Insisto, aperto a campainha até provocar um curto e parar de funcionar. Grito que a amo, que uma porta não poderá me parar, que eu derrubo essa merda e vou acordar o prédio inteiro se ela não abrir e me ouvir. Ouvir tudo que tenho a dizer.
Voadoras, ombradas, chutes e nada da porta se mexer. Maldita porta resistente dos infernos. Deve ser madeira de lei, vou perguntar a ela de que tipo de madeira é. Boa porta.
A porta da vizinha se abre, ela me observa assustada. Ainda estou lá implorando que ela me receba em seus braços. A vizinha me olha. Não dou atenção, “se for preciso eu acordo o mundo”, grito.
- Psssiu…
Ela me chama por trás da grade de ferro do outro lado do corredor.
- Sim, senhora?
- Tem ninguém aí não.
- Como assim?
- Você namora a filha de seu João, é?
- É.
- Eles mudaram tem mais de um mês, lembra não?
- Ah, droga! – tapa na testa – Esqueci.
- Tem problema não. Bate a porta quando sair, viu?
- Sim, senhora.
