Dia 01 – 17:00 da tarde (ontem)
Eu já havia caído e batido feio com a cabeça quando percebi que a idéia de provocar o gato pra arranhar as cordas que prendiam minhas mãos era não só impossível, como estúpida. Estranhamente, minha cabeça não doeu. Silvia ainda não havia acordado e eu já estava começando a ficar preocupado, levando em consideração que havia uma bomba relógio há dois metros de onde eu estava. Finalmente resolvi reparar na bomba e percebi que ela estava programada pra explodir à meia-noite. O gato estava parado, apenas me observando e de repente deu um salto pra trás, como se algo o houvesse assustado. Percebi, então, que Silvia estava começando a engasgar e convulsionar furiosamente. Fiquei tentando me soltar e de repente conseguir quebrar as cordas, acho que foi a adrenalina.
Levantei rápido e corri para socorrê-la. Também não tive dificuldade para retirar as cordas que prendiam seus pulsos. Coloquei-a no chão e fiz uma fiz respiraçao boca a boca, massagem no peito, e de repente ela se acalmou e voltou a respirar normalmente, finalmente acordou.
- O que houve?
- Ainda estamos presos.
- Ainda ?
Expliquei rapidamente os últimos acontecimentos.
- Porra, e você ainda me conta nessa calma toda!
- Precisamos arrumar um jeito de sair daqui.
- Não me diga.
Comecei a vasculhar as paredes, e inclusive a porta, que parecia ser especialmente robusta e nada de achar uma maneira de sair. Silvia começava a esmurrar as paredes, aquilo não estava fazendo bem a ela e já começava a ficar com um certo olhar de maníaca.
- Temos que sair daqui… – ela começava a repetir sem parar.
Resolvi tentar a porta, corri e dei uma boa pancada nela com o corpo e pareceu ceder um pouco, corri novamente e quase a derrubei. Mais uma pancada e ela já estava ao chão.
- Como?… – ela me olhava esquisito, mas não disse mais nada.
Peguei a bomba, ela pegou o gato e saímos correndo, quando chegamos ao salão principal, que estava vazio, mas além do vidros da fachada se podia observar uma multidão de policiais se aproximando do prédio.
- Então, você conseguiu sair.
A voz de Márcia vinha de todos os lugares e de lugar nenhum.
- Onde você está ?
- Você está com um comunicador implantado na orelha e, caso não tenha percebido, não é o seu corpo que vc está controlando.
- O quê?
- Eu transplantei sua consciência pra esse corpo andróide que está aí, seu corpo original está comigo agora, talvez eu coloque uma consciência mais de acordo com o que eu esperava de você.
- Só pode ser brincadeira…
- Ah, é? Dá uma olhada no que vc tinha nas calças.
Olhei e tava tudo lizinho.
- Devolve meu corpo, Márcia, não tô brincando.
- Vai passar o resto dos seus dias fazendo xixi sentado. Se eu fosse você, me preocupava mais com os policiais que estão chegando. Adeus.
E agora, o que é que eu faço?
- Silvia, você tá rindo do quê?!
conclui na próxima…

1 comment
Comments feed for this article
Abril 10, 2009 às 16:50
Viveca
Quando publicar o livro manda um pra mim.
Aguardo ansiosa,
Viveca.