droga, acho que chegou alguém.
Dia 01 – 9:05 da manhã (ontem)
Agora tudo parece melhor, nada como um bom café da manhã com alguns belos entupidores de artérias como ovos, bacon e requeijão cremoso. Silvia ainda tá meio baqueada com os acontecimentos da manhã. Além disso, entre uma garfada e outra acho que ouvi ela resmungar “filho da puta” uma ou duas vezes. Bom, pra quem sempre falou demais, é até legal vê-la calada.
- Então – ela parou de comer de repente e me encarou – Você vai me contar o que veio fazer aqui ou não ?
- Claro – acendi um cigarro.
- Se importa de me esperar terminar de comer ?
- Tá bom, tá bom – apaguei o cigarro e chamei a garçonete – Me dá um conhaque.
Nem uma das duas me deu aquela olhada de “a essa hora?!” o que já é muito bom, sendo que não estou com a maior das paciências.
Fiquei ali parado, bebendo devagar enquanto ela terminamava de comer. Enquanto esperava pra poder fumar meu cigarro. Ficava olhando ao redor, analisando os tipos que perambulavam por aquele lugar àquela hora. Tipos esquisitos. Tudo bem, eu não podia falar muita coisa.
- Ok – ela falou limpando a boca com as costas da mão – Desembucha, me conta logo tudo.
- A história é simples – acendi o cigarro e ela fez cara feia – Eu tinha que receber uma mercadoria e redistribuir. Na verdade, muito simples, pegaria com uns caras e entregaria a outros.
- Ok, e como Léo foi morto?
- Ele pisou na bola. alguém soube do lance todo e ofereceu uma grana maior, ele tentou ganhar mais e ferraram com ele.
- Filho da…
- Não fica ressentida com isso, ele queria isso por você também. – segurei em sua mão e ela soltou – Preciso do colar.
- Pouco me importa, toma. – ela ficou olhando enquanto me entregava – Qual é o lance a respeito disso?
- Passei esse trabalho pra ele porque surgiu outro, pagaram adiantado. Mas, como não tinha certeza se conseguiria sair sem ser pego… – abri o colar – Escondi a chave aqui dentro e mandei ela guardar, ainda bem que te deu.
- E agora ?
- Simples, vou até o armário na rodoviária retirar a grana que deixei lá.
- Preciso de uma parte, a minha casa tá destruída.
- Já estava bem destruída quando cheguei lá.
- Sem piadinha, Sal.
- Olha, não tem problema, posso te dar uma parte, você some daqui, talvez esteja sendo procurada. – terminei o conhaque – Vamos embora.
Quando estava pra sair, percebi a garçonete falando ao telefone e nos olhando de canto de olho. Podia ser só impressão, mas não parecia coisa boa.
- Olha – falei pegando Silvia pelo braço – Acho melhor a gente se separar, estou sendo procurado e provavelmente já estão procurando por um casal. O maldito robô deve ter dado o alerta.
Ela continuou andando até sairmos do restaurante.
- Escuta bem, e eu só vou dizer uma vez, tá ?
Continuei calado.
- Não tem jeito de vc se ver livre de mim até que me passe alguma grana. Você me ferrou, ok ? Então, mesmo que eu me ferre andando com você, tô nessa até o final. Eu não tenho opção, é simples.
- Ok, ok – eu fiquei ali, balançando a cabeça positivamente, observando os dois robôs que se aproximavam rapidamente.
- Explica pra eles.
Ela se virou e logo os robôs começaram com toda aquela pataquada de “renda-se, você está preso”.
- Corre – eu disse puxando sua mão.
continua…

1 comment
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Março 29, 2009 às 09:56
Viveca
Como sua fã ardorosa, quase groupie, devo dizer que vc deveria começar a se aplcar em roteiro cinematográfico. Tu é um talento, darling.
Aproveitando o ensejo, veja “Os amantes do círculo polar” de Julio Medem, pirei.
bjo.:*