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- Um dia, toda a água do mundo estará poluída. Não ensinarão mais nas escolas que a água é insípida, inodora ou sei lá mais o quê.
Era uma garota com cabelo roxo, fumava um cigarro e tinha uma pintura carregada no rosto que lhe dava um aspecto meio kabuki.
- Incolor.
- É, isso também.
- Ah…, isso é um sonho ou algo assim?
Ao redor, tudo parecia como um cenário de vídeo-game. Algo de errado com as cores, talvez. Umas nuvens laranja formavam dragões e uma mais ao longe um anjo com as asas abertas.
- Se for, é seu. Eu com certeza não estou sonhando. Acabei com esse negócio de sonhos, é muito démodé.
- Bom, se é mesmo um sonho, poderíamos fazer qualquer coisa.
- Ok, tenta você. Experimenta pular daquela ponte onde tem piranhas correndo ao redor do lago.
- Não agora. Que som é esse? Parece um mid de “Deeper Underground”.
- Não sei, já estava assim quando cheguei. Um pouco 8bits demais pro meu gosto.
Um submarino amarelo surgiu perto da ponte.
- Hello, estranhos!
Era um sujeito com um tapa-olho e chapéu branco.
- Olá – respondemos.
- Ok, é o seguinte: De quem é esse sonho? Estou andando por aí há horas e acho que já passou da hora de acordar, seja lá quem for.
- É dele.
- Ei, nem sei o que está acontecendo aqui. Apareci por acaso.
- Então só pode ser seu.
- Eu nem sei o que é!
- Calma, controle seus impulsos ou serei obrigado a desafiá-lo para um duelo.
De dentro do submarino apareceu um garotinho com uma caixa nas mãos e veio correndo até nós.
- Ahá! Alguém falou em duelo?
Abriu a caixa e trouxe até mim.
- Escolham suas armas!
- Ei, isso são pistolas d´água…
- Não tema, meu amigo, posso assegurar que são letais. Estão cheias de ácido.
- Isso já foi longe demais!
Peguei a caixa das mãos do garotinho e joguei longe. O pirata correu até o submarino e voltou com uma shamshir, brandindo em minha direção e claramente disposto a me partir ao meio. Olhei para a menina-kabuki-de-cabelo-roxo e ela me oferecia displincente um florete.
- Vê se não arranha, é de estimação.
Parti na direção do pirata e lutamos bravamente. Eu desviava matrix às suas investidas e longos saltos em câmera lenta me davam ou tiravam vantagem conforme a luta prosseguia. Subimos uma mesa e me balancei num lustre escapando por pouco do fio de sua espada. Continue investindo e aos poucos fui percebendo um padrão nos seus movimentos, entendendo sua técnica até que num golpe certeiro arranquei a espada de suas mãos.
- Hey, hey, corta!
John Woo apareceu do nada.
- Isso ficou uma merda, muito cliché essa cena. Todo mundo liberado por hoje, continuamos no próximo sonho.
Pensei em reclamar, afinal estávamos apenas esquentando.
- E aí, vamos juntar o pessoal pra beber umas tequilas mais tarde, tá a fim? – O pirata perguntou.
- Não dá, acho que terei de acordar agora.
- Verdade. Até mais.
- Até.

 

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