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Ah, essa mania que a gente tem de esquecer que toda a sabedoria, tudo que se precisa como orientação para viver, tudo que é essencial pra caminhar em frente e levar a vida está na obra do Rei.
Roberto Carlos sabe das coisas. Sim, sabe desde as gordinhas até os motoristas de caminhão. Nas suas letras está A verdade, isso sim. As ansiedades, os amores, os amigos, o ilegal, o imoral e até o que engorda. Roberto Carlos é a verdadeira auto-ajuda, meu amigo. Parece que o cara já passou por tudo nessa vida, já esteve numa mesa de bar contigo ouvindo suas mazelas, já viu amigos partirem, amigos chegarem, já acreditou no homem indo à lua e já duvidou também. Já dirigiu a improváveis quilômetros por hora e sorriu quando mais histericamente seu coração bradava pra chorar.
Ele sabe disso, ele esteve lá, e imagine você o quanto se pode aprender em uma única canção. Música do Rei é voz emitida com força para se ouvir ao longe. É berro em melodia. E tem gente que critica o fato do cara ser chato quando quer gravar, ser exigente demais, e etc. Porra o cara tá tentando passar uma mensagem, e tem de se certificar de que ela esteja clara e bonita. Bonita, porque não?
Pode haver um pouco de ironia nesse texto, pode até haver muita, ou apenas aquela porcentagem entre o quase e o tudo que parece haver nas líricas do cara. Ponto.

Juliana queria um gato pra chamar de Garfield e, pô Juliana, cê num queria uma bicicleta?
Porra, simpatia, mas o que é que eu vou fazer com uma bicicleta?
Olhas essas perninhas de sereia, parece que precisam de exercício?
A bicicleta te leva a lugares, eu argumentava.
Que lugares? Caramba, que lugares?
Sei lá, pra comprar pão, ir ao cinema, passear na praia, porra, cê tá em Salvador.
E eu lá vou estragar meu bronzeado ao contrário? Tem idéia do trabalho que dá ficar branquinha desse jeito? Sair pulando de sombra em sombra, caminhando pela rua, até chegar ao trabalho?
Cacete, que trabalho Juliana? Tu pediu demissão sem pedir, faz uns vinte dias que não aparece no trampo e ninguém nem sabe se tú existe.
Ôxi, num penso? Então!
Pensa, ô se pensa, mas parece que num pensa.
Parece, é?
Parece.
Tá.
Viu?
Vi, não. Nem penso, nem vejo, nem sentido enxergo, nem prego bato, como tú diz, nem, muito menos, espírito envergo.
És como um machado de acém largado ao canto do açougue. Dos cegos, que de nada servem.
Essa é das anedotas de Queiroz? Já te vi contar melhores.
És como fosse seca em dia de chuva. Estéril de líquido em tuas idéias.
José, de alentar nem me venhas, não irei de te dar pratas.
Amado sou por mim e pela parte boa de ti, que rosas há de saber onde se escondes quando ribeiro te irrompes na ira.
Ah, cala-te!

 

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